​CEO da Deoleo, maior empresa de azeite de oliva do mundo, chama o modelo de negócio da indústria do


Segundo Olive Oil Times, Pierluigi Tosato palestrou para um grupo de representantes das maiores importadoras e disse que a indústria está fazendo “tudo errado”.


De acordo com o site especializado em notícias do mundo do azeite de oliva, Pierluigi Tosato se dirigiu a cerca de 50 participantes da conferência organizada pela Associação Norte-Americana de Azeites, dizendo que o modelo utilizado pela indústria, até o momento, está errado e que os próximos anos serão críticos.

Ele se tornou executivo-chefe da empresa há apenas dois anos, trazendo um histórico da indústria de bebidas para liderar a empresa que produz as marcas Bertolli, Carapelli e Carbonell.

O presidente da multinacional condenou as práticas protecionistas que, segundo ele, prejudicaram a indústria e causaram desconfiança nos consumidores.

Disse ainda que está havendo uma queda da demanda nos mercados tradicionais causada por séria desconfiança no produto e prevê uma superprodução no futuro que pode trazer ainda mais prejuízo ao setor.

"O consumo está caindo porque os consumidores não confiam em mais nada! ", disse Tosato. Usou a Itália, como exemplo. “Não há azeite suficiente (feito na Itália), não importa o que eles digam. Eles tentam depreciar as importações, mas ao fazer isso, prejudicam toda a categoria”.

Além dos países produtores falando mal de importações, Tosato vê empresas privadas e varejistas considerando o azeite de oliva como atrativo para os consumidores, mas com marcas próprias que levam o preço pra baixo, equiparando-se a commodities, prejudicando todo o setor, buscando vender unicamente volume no lugar de qualidade.

De acordo com o CEO: "Há algo que temos feito de errado nesta categoria por muitos e muitos anos, lamento dizer".

Depois de condenar a rotulagem privada criticou a falta de um padrão global unificado para a categoria.

“Apesar de estarmos lidando com um produto único, um produto fantástico, na minha opinião, estamos confundindo os consumidores. A União Europeia tem suas próprias regras, o Conselho Internacional do Azeite tem padrões, mas a Austrália tem a sua própria, e nos EUA não há um padrão. E neste vácuo, os bandidos estão ganhando. Os bandidos estão transformando essa indústria em uma commodity. Porque nós não falamos um com o outro. Nós não confiamos uns nos outros! O azeite é um modelo de negócio “quebrado”. Precisamos mudar isso.” - disse o CEO

De acordo com o autor da matéria, ele expôs o modelo de sua empresa, que incluía incentivos aos agricultores para a produção de melhores frutas e a colheita mais cedo, buscando apoiar uma produção sustentável e não somente superintensiva, já que a produção tradicional dá empregos para as comunidades locais.

Ainda segundo o site, Tosato pediu um acordo sobre um conjunto de padrões globais, quaisquer que eles sejam, e defendeu o papel da avaliação organoléptica para a certificação da qualidade.

Finalmente, ele disse: “Precisamos lutar duro contra as más práticas. Esta é uma indústria ruim.”

O discurso e opinião do CEO da Deoleo é extremamente importante para o futuro do mercado, inclusive no Brasil, onde os produtores estão apenas iniciando sua empreitada.

A análise sensorial é imprescindível para a certificação da qualidade do azeite e, se uma das maiores empresas do mundo focar seus esforços em mostrar aos consumidores que seu azeite é de fato extra virgem e de qualidade, com preços provavelmente menores devido às suas economias de escala, a sustentabilidade econômica dos pequenos produtores nacionais será seriamente afetada.

É necessário mostrar aos consumidores a qualidade de nosso azeite, e cativá-los com nosso frescor e nossas histórias, aumentando a demanda de produtos de alta qualidade, que hoje é marginal dentro da demanda total de 60 milhões de litros importados.

Para acessar a matéria original clique aqui.

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